domingo, 20 de março de 2011

Ele quer dinheiro e nos uma vaga no Conselho.

Apesar de a visita do primeiro presidente negro dos Estados Unidos à primeira presidente mulher do Brasil ser marcada por simbolismos e uma expectativa de estreitamento nas relações diplomáticas, a Casa Branca enfatizou nesta semana que o principal objetivo da viagem de Barack Obama é econômico. “A viagem é fundamentalmente sobre a recuperação dos EUA, as exportações do país e o papel crucial que a América Latina tem em nosso futuro econômico e nossos empregos", disse Mike Froman, vice-conselheiro nacional de segurança para temas de política econômica internacional, em um briefing.
De acordo com um comunicado emitido pelo governo americano, Estados Unidos e Brasil compartilham “uma das mais importantes relações econômicas e comerciais do mundo”. “O Brasil é o nosso décimo maior parceiro comercial. As exportações de produtos e serviços americanos ao país em 2010 são estimadas em mais de 50 bilhões de dólares, criando 250.000 empregos”, diz a nota, ressaltando ainda que o Brasil é a sétima maior economia do globo. Por isso, a Casa Branca pretende estreitar as relações econômicas com Brasília, discutindo até um tratado que pode, no longo prazo, levar a uma abertura de mercados.
Entre os temas econômicos, os maiores interesses americanos no Brasil estão nos setores de energia e de infraestrutura. Uma comissão de 60 especialistas – entre empresários e políticos – vem ao pais para conhecer de perto as duas áreas e investigar como os EUA podem se beneficiar dessa relação.
Washington vê com bons olhos a descoberta e a exploração das reservas do pré-sal. O país deseja fornecer maquinário e serviços à indústria de petróleo do Brasil. Também pretende obter um compromisso de compra do produto brasileiro no futuro, diminuindo a dependência do petróleo extraído no Oriente Médio e no Norte da África.
Além da commodity, os EUA e o Brasil devem discutir fontes de energia renovável e biocombustíveis. Os americanos têm particular interesse na avançada tecnologia brasileira nesta área. Contudo, também há problemas, já que eles renovaram a tarifa de importação do etanol no ano passado. Além disso, o país subsidia a sua produção de etanol de milho.
“Este é, provavelmente, um dos grandes pontos de atrito. As políticas domésticas aqui nos EUA tornam extremamente difícil mudar os subsídios para os nossos produtores rurais. Não é impossível, mas é difícil”, disse ao site de VEJA Ted Piccone, pesquisador sênior do think tank americano Brookings Institution e um dos autores do livro Shifting the Balance: Obama and the Americas ("Mudando o Equilíbrio: Obama e as Américas", em tradução livre).
Subsídios americanos a produtos agrícolas são, aliás, alvo constante de tensão entre os dois países. Em 2008, a Organização Mundial do Comércio (OMC) condenou os EUA pelos subsídios à produção doméstica de algodão, o que prejudicava produtores brasileiros. Quanto à infraestrutura, Froman destacou que as empresas americanas estão de olho em grandes negócios, especialmente com os preparativos para a Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil.
China – Embora os números das exportações entre Brasília e Washington sejam expressivos, a China tem sido importante para o crescimento da América Latina, tornando a região menos dependente dos americanos. Diante disso, os EUA buscam convencer o Brasil de que os seus produtos podem ser mais interessantes do que os chineses. “Cada vez mais, o Brasil vê o valor de sua relação econômica com a China, mas também enxerga os pontos negativos dela”, afirmou Piccone.
“É importante observar a qualidade do comércio. O Brasil está exportando à China bens primários: produtos agrícolas, minerais e petróleo. Mas está recebendo em troca um monte de produtos chineses baratos que estão competindo com a indústria brasileira e a atrapalhando por causa do valor da moeda. Então, eu acho que os EUA equilibram essa relação e dão oportunidade para um mercado mais favorável ao Brasil”, acrescenta o especialista.
Além do interesse em vender mais, o governo americano quer conquistar o apoio brasileiro nos fóruns globais contra a subvalorização do yuan – um dos fatores que causam maior desequilíbrio na economia internacional, sobretudo na dos Estados Unidos, de acordo com autoridades do próprio país. Já o Brasil não tem se proncunciado de maneira clara sobre a questão.
Simbolismo – Apesar das intenções grandiosas, alguns analistas acreditam que a viagem de Obama será marcada pela assinatura de acordos e negócios apenas secundários, tornando-se mais simbólica do que produtiva. Afinal, além de ser a primeira visita de um presidente americano negro à primeira presidente brasileira mulher, esta é também a primeira vez em que um chefe de estado dos EUA vem ao Brasil antes de seu homólogo visitar Washington. Com o movimento, Obama quer mostrar que dá importância à região - ao contrário do que muitos presidentes americanos já deixaram transparecer - e que pretende construir uma relação mais pragmática com Dilma Rousseff.
Diplomacia – No que se refere à política externa, o encontro também pode provocar algumas saias-justas. “Eu acho que o grande elefante na sala é a aspiração brasileira de se tornar um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e se os EUA estão prontos para apoiar a candidatura brasileira da maneira que Obama fez na Índia”, diz Piccone. “Acredito que seria útil ele dar alguns sinais positivos nesta direção, mas o complicador é o resto da região. Será que os outros países estão preparados para aceitar o Brasil como candidato?”, questiona.
Outro assunto cuja temperatura já foi um pouco mais alta é o Irã. Os Estados Unidos desaprovaram a maneira como o Brasil vinha apoiando o programa nuclear iraniano - inclusive votando contra as sanções da ONU ao país em junho de 2010 - durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o fato de a administração anterior ter dado as costas aos direitos humanos - tanto na República Islâmica, quanto em Cuba ou na Venezuela - em detrimento de governos ditatoriais e tiranos, fomentou críticas entre os colegas de continente. Os recentes posicionamentos de Dilma sobre a questão, especialmente após uma entrevista concedida ao jornal The Washington Post em dezembro do ano passado, foram vistos como auspiciosos pelos americanos. Obama deve demonstrar isso à colega, ainda que não de maneira pública.
Antiamericanismo – De acordo com documentos revelados pelo site WikiLeaks, os EUA sentem em setores do governo e da diplomacia brasileiros um sentimento antimaericano. E a percepção é precisa. Para Piccone, essa visão se deve a “certas figuras ideológicas da administração anterior, incluindo o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim”. “Com a transição, a expectativa é que o governo seja mais balanceado e menos ideológico”, pontua o especialista.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Planejamento é obrigatório para o sucesso no vestibular

Organizar-se é estabelecer uma estratégia que multiplica seu tempo e a qualidade de seu estudo a aprovação no exame vestibular da Universidade dos seus sonhos é uma conquista. Uma conquista que, para ser alcançada (e comemorada!), requer um trabalho tão intenso quanto prazeroso.
Esse trabalho, se planejado e organizado adequadamente, aumentará, em muito, as suas chances de êxito. Lembre-se: um bom planejamento, acompanhado de uma execução dedicada e metódica, trará a você maior tranqüilidade e equilíbrio no momento das suas provas.
Não há dúvida: o tempo, agora, é a moeda de maior valor para você. Portanto, não o tema, use-o a seu favor de maneira saudável e inteligente. Organizando-se, haverá tempo para as aulas, para o estudo em casa, para diversão, para repouso, enfim, itens importantes para a saúde Mental, Física e Intelectual. Tenha em mente que você terá que abrir mão de algumas coisas (você tem a vida toda para fazê-las, o vestibular é agora!), mas vale a pena.
Para que tudo isso seja possível é fundamental a sua motivação e autodisciplina. O resultado do seu trabalho será alcançado conjugando-se três qualidades básicas: a constância, a paciência e a perseverança. Você está fazendo um trabalho onde o maior beneficiado será você mesmo.
O planejamento se inicia com a retomada de sua agenda de estudos, fazendo os ajustes necessários em função de seu desempenho no simulado aberto. Matérias nas quais seu resultado foi abaixo do esperado devem receber maior atenção.
Nessa agenda semanal deve haver, diariamente, espaço para o estudo das aulas que você teve no dia (aula dada, aula estudada) e espaço para os complementos necessários (leituras, exercícios complementares, etc.).
Durante seus estudos procure substituir suas anotações lineares por mapas de idéias (ganha-se tempo e qualidade), associando sempre teoria à prática. A cada retomada de estudos de uma disciplina revise os mapas de idéias anteriores, permitindo que você exercite uma das etapas do aprendizado que é a repetição.
Os alicerces para um estudo bem sucedido são: planejamento e organização. No início, podem tomar algum tempo, tanto para fazê-lo, como para as adaptações. Não se esqueça: esse "investimento" de tempo agora, multiplicará seus ganhos mais à frente e dependem muito mais de suas convicções pessoais do que de fatores externos.
Comprometa-se com isso. A vitória ao final, será mais fácil de ser conquistada e mais saborosa. A linha do tempo abaixo irá auxiliá-lo nessa tarefa. Bom trabalho e até a Festa dos Aprovados.

Vamos caminhar juntos para um ano cheio de realizações.
Um forte abraço, sucesso a todos.
Bartilotti.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

G20, o espetáculo da soberania

Aquilo que o ministro Guido Mantega define como guerra cambial é a paisagem superficial da longa crise do sistema de Bretton Woods. O desequilíbrio entre os superávits chineses e os déficits americanos forma o relevo destacado nessa paisagem, mas não a esgota nem a explica. A crise de fundo tem uma dimensão econômica mas uma raiz geopolítica. No fim das contas, as engrenagens institucionais da ordem econômica global parecem emperradas, pela primeira vez desde o pós-guerra. O G20, palco da estreia de Dilma Rousseff na cena internacional, não é a ferramenta milagrosa de solução da crise. Antes, figura como uma expressão singular do impasse evidenciado desde a quebra do Lehman Brothers.
Na sua versão original, o edifício de Bretton Woods praticamente excluía a necessidade de interferência política no sistema monetário. O dólar refletia o ouro, que lhe servia de lastro nominal, e uma coleção de moedas orbitava em torno do dólar segundo um mecanismo de paridades quase fixas. As fundações do edifício estavam assentadas na rocha da escassez de dólares, num tempo em que os EUA eram os credores do mundo. O arranjo promoveu as três décadas gloriosas de crescimento acelerado das economias de mercado. Voluntariamente, para salvar o capitalismo, os EUA ajudaram a criar centros independentes de poder econômico, sacrificando no caminho a posição de hegemonia absoluta adquirida durante a guerra.
Quando a escassez de dólares desapareceu, premido pelo financiamento da Guerra do Vietnã, Richard Nixon levantou a âncora da paridade com o ouro. Bretton Woods 2 não emanou de uma conferência, mas de um gesto unilateral do gerente do sistema: a retomada da prerrogativa soberana de imprimir moeda. No novo ambiente de flutuação cambial, a interferência política dos principais atores tornou-se um imperativo. O G5 e o G7, seu sucessor, nasceram como respostas à necessidade de tecer consensos em torno da governança econômica global. Eles operaram como um clube seleto, que compartilhava uma visão de mundo similar e tomava decisões informais em reuniões fechadas, protegidas do assédio da imprensa.
Desde 1971, os EUA agem de olho nas suas prioridades nacionais, dividindo com o resto do sistema internacional o custo das políticas domésticas. A desvalorização de Nixon difundiu para o mundo as pressões inflacionárias geradas no interior da economia americana. Dez anos depois, a “revolução econômica” de Ronald Reagan provocou a elevação dos juros globais, o desvio da liquidez mundial na direção de Wall Street e uma forte apreciação do dólar. Poucos anos mais tarde, tornou-se inadiável uma brusca correção de rumo, com a depreciação do dólar frente ao marco e ao yen, algo que demandava a aquiescência da Alemanha e do Japão. Washington obteve o que desejava no Acordo do Plaza de 1985, uma prova indiscutível da eficácia política do clube das potências.
Há dois anos, os EUA buscam uma reedição do Acordo do Plaza, sob a forma de um pacto de limitação de superávits ao máximo de 4% dos PIBs nacionais, o que implicaria forte apreciação do renminbi chinês. A proposta faz sentido, mas não decola, pela conjunção de dois motivos. Um: a China não admite reproduzir a função desempenhada pelo Japão há um quarto de século. Dois: o G20 não é um G7 ampliado.
Os chineses temem repetir a trajetória do Japão depois do Plaza, quando o influxo de capitais coagulou-se em bolhas especulativas nos mercados de imóveis e ações, que explodiram na crise financeira de 1990 e redundaram numa estagnação de quase dez anos. O consenso interno em torno do renminbi depreciado estende-se do núcleo dirigente do Partido Comunista, que resiste a conferir direitos econômicos à população, até as empresas transnacionais estabelecidas no país, que funcionam como plataformas de exportações.
O G20, consolidado após a quebra do Lehman Brothers, reflete o declínio relativo dos EUA e a multiplicação dos centros de poder econômico gerados pela globalização. Ele não é um clube, mas um fórum. Seus integrantes, especialmente a China, não compartilham a visão de mundo que moldou o sistema de Bretton Woods. Suas reuniões, escancaradas ao escrutínio público, são teatros do espetáculo da soberania. Hoje, em Seul, chineses, alemães, brasileiros e sul-africanos erguerão suas vozes para acusar os EUA. Todos eles estarão de olhos postos nas manchetes dos telejornais e das publicações impressas.
A decisão do Federal Reserve de inundar o mercado com uma torrente de US$ 600 bilhões assinala um ponto de inflexão. Os EUA cansaram de esperar e resolveram mudar unilateralmente o cenário mundial. A China retrucou num tom incomum, anunciando que erguerá uma “muralha de fogo” contra o ingresso de capitais especulativos. A guerra cambial assume a configuração de um confronto político e ameaça converter o G20 em praça de combates. Em meio aos disparos, o governo brasileiro transforma a justificada indignação com a iniciativa americana em pretexto para circundar o debate sobre a conexão entre os gastos públicos, as taxas de juros e a apreciação do real.
Uma falência do G20 não serviria a nenhum dos atores de uma ordem econômica global que precisa da “mão visível” da política para conservar alguma estabilidade. Mas o espetáculo da soberania, por sua própria dinâmica, pode desandar em guerra cambial e comercial, arrastando o mundo pela ladeira da depressão. Hoje, só o FMI, que faz reuniões fechadas, propícias à separação entre a soberania e seu exercício espetacular, tem as condições políticas para exercer a mediação entre as potências do G20. Depois dos retumbantes fracassos dos anos 90, o FMI pode encontrar um novo papel útil nessa função de intermediação. Se isso acontecer, o Brasil de Dilma Rousseff reconhecerá na antiga instituição de Bretton Woods um parceiro insubstituível. Ironias da história.